segunda-feira, 19 de setembro de 2011

05.09.2006 – Johannes B. Kerner – Parte 2 [vídeo + Tradução]


Parte 2


Tradução:

[a partir do minuto 0.38]

Bill: Há realmente multidões de pessoas, umas 14 000. Tens de planear as logísticas muito bem e isso é muito importante para nós. Já estamos a confrontar com a inveja em termos de malevolência.
Ap: Sim, exacto. Algumas pessoas não gostam dos Tokio Hotel. É certo. Mas vocês experienciam isso em primeira mão?
Tom: Sim, claro. Isso acontece. Reparas nisso frequentemente. Tal como o senhor referiu, há pessoas que não gostam de nós, provavelmente por causa da nossa música. Eu também nem sempre gosto de tudo o que o Bill ouve, por exemplo. É compreensível que haja também pessoas com inveja. É muito… Eu poderia imaginar… como também algumas bandas jovens ou bandas antigas. Eles tocam lá, mas apenas nas suas salas de ensaios.
Bill: Sim, mas isso é algo que tentamos compreender. Bem, nós também sabemos como é que isso funciona. Durante bastante tempo também tivemos ensaios, e também actuamos em pequenos clubes. Naturalmente, nós éramos totalmente novos. Mas, por exemplo, não tenho ideia, outras bandas também actuam nos mesmos clubes. Eles têm o dobro da idade e não têm visto mais nada na sua vida, a não ser a sala de ensaios, o pequeno clube e as 5 pessoas à sua frente. É completamente compreensível que se tenham tornado invejosos. Nós só tentamos ser apreciativos. Na verdade, isso nem é agradável para nós, mas pode-se relacionar porque é realmente um trabalho muito difícil.
Ap: Vocês decidiram cedo que queriam estar no palco, queriam esta popularidade, queriam ser famosos, queriam que as pessoas ouvissem a vossa música. De onde é que isto terá vindo?
Tom: Eu acho que todas as bandas sentem isso. Quando estás a ensaiar…, embora haja bandas que gostam apenas de tocar nos clubes. Mas para nós… Bem, sempre quisemos mostrar a toda a gente a nossa música. No início, nós os dois tocávamos música, e foi pior do que aquilo que alguma vez tínhamos visto. E.. E… como é óbvio, ninguém nos disse. Toda a gente dizia sempre: “ Está bom para a vossa idade e está tudo bem”, e coisas parecidas.
Bill: Nós começamos as nossas primeiras canções aos 9 anos.
Tom: É verdade.
Bill: Fizemos gravações e muitos concursos, fizemos as nossas primeiras canções aos 9, como disse, para a Viva, estações de rádio… companhias discográficas.
Tom: Eu acredito que até para a companhia discográfica com a qual estamos agora, fizemos.
Curta-metragem:
Mulher: Agora ide para a cama.
Tom: A minha cama está molhada.
Ap: Uma curta-metragem, mas… Agora percepciona-se como as mulheres jovens, as raparigas estão a agir. Há momentos em que às vezes vocês se fartam, esconjuram e dizem: “ Seria preferível se fosse diferente” ?
Bill: Não, por enquanto não. Bem, então… O ano correu tão depressa e… nós estamos a gostar disto. Nem acho que irá acontecer nos próximos tempos, desistirmos e fartarmo-nos disto. Certamente que não. Isso nunca se ocasionou até hoje. Sei lá, talvez daqui a 20 anos; essas coisas estão confinadas a acontecer, mas por agora isso não está em vista.
Ap: Será um grande fardo ser um modelo perante uma geração inteira?
Tom: Bem, não é que seja bem um fardo.
Bill: Bem, é… não o fazemos dessa forma. Não nos questionamos aquilo que tens de fazer para seres modelo, porque considero que isso seria demasiada tensão, e já que temos pouco tempo, aproveitámos aquele que nos resta fazendo tudo aquilo que os outros de 16 anos fazem. Ou de 17 anos.
Ap: Sim, pois. Como o teu piercing na língua, por exemplo?
Bill: Sim, pois…
Ap: Deve haver muitos a dizer: “ Também quero fazer um igual”.
Tom: Para essas realidades acho que não devíamos servir como modelos. É preferível seguir o concelho dos pais. Agora ando mais sensível e digo simplesmente que deve ser assim. Não, na verdade sempre fomos assim, sabes. Sempre fomos conscientes daquilo que fizemos, e na altura pensámos: “Eu quero fazer um piercing”. Mas também nos comprometíamos muitas vezes, não éramos totalmente insurrectas. Também decretávamos: “Ok, se conseguir tirar um “Satisfaz bastante” a Matemática, irei fazer um piercing como recompensa.”
Ap: É esse o acordo lá de casa?
Tom: Sim, nós definíamos sempre uma meta exactamente onde os nossos pais achavam que não conseguíamos chegar, e no final acabávamos mesmo por consegui-la.
Ap: Humm, e essa história é verdadeira? Tens um piercing na Língua?
Tom: Não, ele é que tem.
Ap: Ahh, para mim isso é completamente inconcebível.
Bill: Essa foi…
Ap: …chama-me de velhote.
Bill: Essa foi exactamente a história da nota de Matemática.
Ap: Jochen, faça o favor…
Jochen: Falas de maneira diferente? Não te incomoda o piercing?
Bill: Não, já nem dás conta disso. Essa fase já passou… Este piercing já nem me incomoda nada.
Tom: Quando o fazes ele interfere na tua alimentação. O Bill ficou com a língua toda inchada também; nem conseguia falar direito, mas passado algum tempo acabas por te esquecer disso.
Ap: É preferível para beijar?
Tom: Não sei. Tens de perguntar a outra pessoa.
Ap: Podes ir dar ali um salto rapidamente.
Cirurgião: Não vos é indiferente?
Tom: Não.
Ap: E relativamente às mulheres. A vossa vida alterou-se este ano, por estarem a gozar uma grande popularidade?
Bill: Bem, eu devo dizer que para mim nem por isso. Enquanto membro dos Tokio Hotel, para mim isso nem se alterou muito, nem pouco. Bem…
Ap: Constantemente popular?
Bill: Sim, não, quer dizer, para mim é sempre, tipo, se me assumo com alguém, aí totalmente. Especialmente no momento em que tenho muito pouco tempo, quero usufrui-lo de maneira significativa e passar todo esse tempo com os seres humanos. Eu tomo sempre esse cuidado porque me importo. Dessa forma envolvo-me completamente. Portanto, coisas do género “ Vamos arranjar um quarto para ficarmos e depois desapareces”, comigo não acontecem.
Ap: Isso é basicamente… é basicamente um fardo também? Com ele (Tom) é diferente?
Bill: Sim. [risos]
Ap: Deixem-me tentar perceber isto primeiro. Nós os dois temos de ter uma pequena conversa. Erhm, bem, portanto todas as mulheres que vocês conhecem, sabem quem vocês são, sabem o que está por detrás disto, e vocês devem saber, com certeza, que elas preferem principalmente a figura dos Tokio Hotel e não tanto o vosso próprio ser. Isso impede-vos de se relacionarem?
Bill: Sim, isso é um problema. Bem, então nesta altura é definitivamente… Poucos aproximam-se de ti. Claro, crias algo como uma parede. Há imensa gente que quer algo vindo de ti, e todos têm sempre algo a dizer, etc. É de loucos, é por isso que nós… é realmente mesmo, mesmo muito difícil deixar alguém aproximar-se de mim e deixar algo desenvolver-se até se tornar sério.
Ap: Isso significa que não pretendes ter namorada por algum tempo?
Bill: Exacto, desde que esta carreira começou.
Ap: E está bem assim para ti?
Bill: Para mim está bem. Desde que eu concentre toda a minha energia no trabalho. Eu não ando à procura de uma namorada. Simplesmente, caso acontecer, se alguém se atravessar no meu caminho, então aí certamente que sim.
Ap: Na verdade, eu devo assumir que algumas delas estão a atravessar-se no teu caminho, se eu fizer uma visão geral disto. Especialmente se o teu irmão… Se interpretar correctamente aquilo que vocês…
Bill: Sim.
Ap: Vocês experienciaram diferentemente este ano?
Tom: Sim. Bem, eu não sou sempre assim tão, tão… Sei lá, muito tenso, diria eu. [risos]
Ap: [risos] É uma típica conversa entre gémeos.
Tom: Sim, eu tenho uma pequena visão diferente, mas para mim é sempre assim. Eu nunca tive uma namorada estável. Apenas uma ou duas vezes, mas mais… mais… forçosamente porque, na verdade… é, porque eu… porque tinha de me esforçar muito para diversificar a todo o tempo, mas…
Ap: Quer dizer, não tinhas a coragem suficiente para terminares o namoro?
Tom: Exacto, mais precisamente visto desse ponto de vista… Comigo, é do tipo… em que eu… Não dou às raparigas qualquer tipo de esperança, dizendo assim. Eu não digo: “Ok, tu és o meu verdadeiro amor e nós ficaremos juntos para todo o sempre”, ou assim. É sempre… Mas também não planeio, se sair fora, ter uma “one night stand” (amor por uma noite), ou algo do género. Não quero como “descartá-la”. É, bem, para mim esta bem se acontecer de vez em quando, bem…
Ap: Sim, continua…
Tom: Bom, eu penso…
Provavelmente o Cirurgião: Estás a ir bem.
Tom: Até aos 18 anos eu quero continuar a ser “selvagem” por um pouco.
Ap: Até aos 18?
Bill: Ele depois vai querer casar-se.
Ap: Queres mesmo casar aos 18 anos?
Tom: Não.
Ap: Não, não. Bom, definitivamente eu recomendaria levarmos mais tempo.
[…]
Ap: Vamos tentar prosseguir em frente. Vocês agora têm 17. Viveram uma experiência intensa este ano. Quanto tempo é que isto dura? Quanto tempo querem que isto se prolongue? Ou o que é que vocês imaginam virem-se a tornar?
Bill: Eu acho que sempre quisemos isto, porque não imagino qual outra coisa haveria de fazer. Não me consigo imaginar sentar-me numa cadeira do escritório a fazer outra coisa. Não faria ideia… Não tenho quaisquer outros interesses. Isso sempre surgiu primeiro. Mesmo depois da escola, eu já escrevia canções e compunha-as. Sempre foi assim. Por isso não consigo imaginar outra coisa mais.
Tom: E é isso, nós provavelmente iremos fazer sempre música.
Ap: Há um sentimento de respeito, se calhar até mesmo de medo que isto possa terminar um dia? Que seja apenas um sonho?
Bill: Sim, bem, nós tentámos sempre não pensar muito nisso. Claro que isso pode acontecer. Todos nós temos consciência disso, mas, geralmente, tentámos seguir em frente por agora. Estamos a preparar o nosso segundo álbum, p’ra já, e tentámos prosseguir a partir disso. Continua a ser divertido, tal como dantes e uhm… nós não nos questionamos realmente quando é que isto irá chegar ao fim.
Ap: Muitas das diferentes ofertas chegam-nos usualmente muito rápido.

Fonte: *